O Salário - Um Conto de Ficção Cristã
O Salário é um conto de ficção cristã sobre nos apoiarmos no Senhor para nos livrarmos do pecado. Nele, Paulino terá a chance de provar suas palavras para Deus, e ao realizar o trabalho, receberá O Salário.
O Salário
— Eu estou indo muito bem, irmão, já faz quase uma semana que não cometo nenhum pecado, e você?
— Você sabe como é. Mas me fala uma coisa, como você consegue?
— É porque me dedico, tenho força de vontade para vencer o pecado. Por isso que sou muito abençoado. Tenho que ir. Até semana que vem. — Disse Paulino.
Naquela noite, Paulino voltou para casa depois do culto, jantou e foi se deitar para dormir. Só que teve uma experiência sobrenatural. Ouviu a voz de Deus dizendo:
— Paulino, você não peca há uma semana? E ainda mais por esforço próprio?
— Sim, meu Senhor, tu sabes.
— Está bem, então suponho que consiga passar o dia de amanhã sem pecar também?
— Claro, meu Senhor, sou muito determinado.
— Isso me deu uma ideia. Vamos combinar uma coisa. Se amanhã, você não pecar, pode vir para o Paraíso. Porém, se pecar, morrerá. Afinal, como eu já disse antes, o salário do pecado é a morte.
— É meio arriscado, mas aceito Sua proposta. Só tenho que chegar ao fim do dia de amanhã?
— Isso mesmo, chegar ao fim de amanhã. Sem pecar.
Na manhã seguinte, Paulino acordou se lembrando do sonho que teve, com pensamentos impróprios sobre uma mulher com quem sonhou. Começou a sentir uma forte dor no coração, era uma parada cardíaca, estava morrendo. Sua visão ficou preta.
Abriu os olhos. Olhou para o relógio, era a data do dia anterior, no horário em que tinha terminado de conversar com Deus. Disse para si mesmo:
— O que está acontecendo?
Paulino percebeu que Deus lhe deu mais uma chance, poderia tentar ficar sem pecar novamente no dia seguinte.
Teve o mesmo sonho, porém, esforçou-se para não pensar em nada inapropriado. Levantou-se da cama e andou em direção ao banheiro, mas bateu o dedinho do pé na quina da mesa. Praguejou. Começou a sentir uma dor em seu peito, estava morrendo novamente. Falhou mais uma vez. Visão preta.
Acordou na noite anterior. Mais uma chance. “Como me prevenir para não ficar tão suscetível ao pecado? Vou orar e ler a palavra antes de dormir.”
Levantou-se e foi ao banheiro. Desviou da cadeira e continuou, alegre. Depois de tomar banho, ouviu o som da campainha e foi receber a encomenda que esperava. O entregador lhe pediu desculpas pelo leve amassado em um dos lados da caixa de papelão. Paulino não o perdoou. Dor no coração, visão preta e você já sabe.
Dia anterior. “Deveria ter perdoado o rapaz, aposto que nem foi culpa dele, e era um amassado de nada, farei melhor. Deus me perdoou por coisa muita pior, sem falar que já me deu várias chances de completar esse dia sem pecar.” Orou, leu a palavra e foi dormir. Na manhã seguinte, repetiu a rotina e foi gentil com o entregador. Vestiu-se para ir ao trabalho. Só que no trânsito, novamente, ficou com extrema raiva de um carro que o fechou. Passou por ele rapidamente e tentou fechar o carro. Dor no coração, visão preta, morte. “Espero que Deus me dê mais uma chance.”
Acordou na noite anterior. “Ufa”. Orou, leu a palavra e foi dormir, agradecendo a Deus por mais uma oportunidade.
Levantou na manhã seguinte e decidiu ler a palavra também, talvez isso tornasse a probabilidade de ficar irritado mais baixa. Seguiu com sua manhã e chegou ao trabalho. Lá seu chefe lhe perguntou sobre um projeto e Paulino acabou não contando a verdade, pois havia cometido um erro com o prazo. Caiu no chão com dor no peito. Voltou ao dia anterior. Isso se repetiu diversas vezes. Às vezes, Paulino cometia novos pecados no dia ou até mesmo repetia alguns de outros. Ele percebeu que a melhor maneira de resistir ao pecado era oração e leitura da Palavra, também ouvia mais louvores, principalmente quanto dirigia, em resumo, se relacionar com Deus era o caminho. Paulino viveu o mesmo dia por semanas, tentando passar o dia sem pecar. Alguns eram muito difíceis, por isso também acrescentou à sua rotina o jejum. Foi ficando mais fácil em alguns aspectos, em outros, parecia que a tentação e as oportunidades para satisfazer a vontade da carne eram maiores. Teve que se livrar de fofocas, mentiras, rancor, egoísmo, ira e muitas outras coisas. Além disso, deixar de pecar não era somente deixar de fazer algumas coisas, também teve que aprender a agir, pois saber o que se deve fazer e não o fazer, é pecado. Isso fez com que Paulino fosse mais ativo e ajudasse os outros. Até que um dia, chegou a hora de dormir a noite, só faltava pegar no sono sem pecar. Paulino pensou: “Finalmente, consegui cheguei ao final do dia sem pecar, me tornei um homem bom, sabia que poderia ganhar essa aposta. Eu disse que era capaz e, de fato, sou melhor que os outros.” A dor apareceu, bem como a visão escurecida.
Acordou no dia anterior e refletiu: “Quase. Mas qual foi o meu pecado?” Ouviu a voz de Deus, o que não acontecia desde o primeiro dia em que essa experiência começou:
— Realmente não sabe qual foi seu erro? Ele apenas é o mesmo do primeiro dia. Terá apenas mais uma chance.
Apesar das indagações de Paulino, não obteve nenhuma resposta. Foi orar e ler a palavra. Acordou e sabia que não poderia pecar, era sua última chance, se não, iria morrer. Antes mesmo de sair da cama, rogou: “Eu desisto do nosso combinado, eu não aguento mais, eu me rendo, não consigo deixar de pecar. Antes mesmo, eu achava que não estava pecando, mas cometia erros todos os dias. Quando quase consegui, não foi pela minha própria força, reconheço isso agora, sei que fui soberbo. E mesmo que conseguisse, minhas boas obras são como trapo diante de Ti, mesmo que conseguisse, seria com a Tua ajuda. Não quero ser absolvido pelas minha próprias ações ou obras, quero que o Senhor olhe o meu não pecar através de Cristo, que os removeu de mim. Descobri que o Teu Santo Espírito me ajudou nesses últimos dias a não pecar, mas sou humano. Vou me aproximar de Ti para me afastar dos meus pecados, mas quando eu pecar, peço que me cubra com Teu sangue e me perdoe, quero ser transformado. O Senhor foi tão gentil e misericordioso, já era para eu estar morto, mas sei que também chegou a hora da justiça. Seja feita a sua vontade, meu Deus.” Naquele dia Paulino focou em Cristo, mas acabou pecando em uma situação, para sua surpresa não morreu e nem voltou ao dia anterior. Prosseguiu com sua vida tentando se livrar dos erros, mas também sabendo que Deus lhe perdoaria por eventuais pecados. Havia aceitado o sacrifício de Jesus Cristo. Orou:
— Não irá me matar pelo meu pecado?
— Qual pecado?

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