Olhos Cor de Fé - Um conto de ficção cristã

 

Olhos Cor de Fé é um conto de ficção cristã sobre enfrentar o mundo com coragem. Nele, um homem precisa se livrar do medo para enxergar sua origem e seu destino, para isso, ele precisará de Olhos Cor de Fé.

 


Olhos Cor de Fé

 

            Abri os olhos. Onde eu estava? Ao redor, a primeira coisa que notei foi o sofá em que eu me sentava. Era um sofá cor salmão, meio desbotado, apesar de caber mais uma ou duas pessoas, apenas eu permanecia ali. À minha volta, paredes em tonalidades bege escuro, o local era pouco iluminado. A escuridão era assustadora. Pensei estar em um hotel abandonado, havia um balcão cinza a minha frente, porém, não havia ninguém atrás dele. Olhando para trás, vi uma passagem, provavelmente a entrada do lugar. Parecia estar sozinho, porém, andei pelo local e me surpreendi, havia pessoas dormindo e outras conversavam, seus olhos eram mais escuros do que o normal. Minha presença ali era ignorada. Um lado dava para uma sala, móveis simples e velhos. Através de uma janela, era possível ver a rua, notei um grande ônibus de dois andares do lado de fora. Do outro lado do cômodo inicial, um quarto com as mesmas características decadentes. Ali havia mais uma porta, suponho que era o banheiro, mas estava trancado, não quis insistir, pois, assim que toquei na maçaneta, senti muito medo.

        Decidi voltar para onde acordei, tomei um susto quando vi um amigo de infância. “Onde estamos?”, perguntei. Ele me respondeu: “Estamos entre nossa origem e nosso destino.” O comportamento das outras pessoas me causava confusão, era como se morassem ali. Meu amigo voltou a dizer: “Devemos encontrar a saída desse lugar.” Sem respondê-lo, apenas andei para a passagem de entrada, para minha surpresa, só encontrei paredes, não havia nem entrada, nem saída. “E essas pessoas?”, perguntei. Ele me respondeu: “Elas já se acostumaram em estar aqui, estão há muito tempo nessa casa escura.” Eu poderia me sentir indignado com o que ele me disse, mas por algum motivo, tudo me parecia verdade, e não só isso, fazia sentido. Ele continuou a me contar sobre o local e o maior enigma era a porta do banheiro. Pelo que me contou, ela não estava trancada, apenas era muito difícil abri-la, como se fosse muito pesada, ou se tivesse uma rajada de vento impedindo que a porta abrisse. Disse-me que já viu algumas pessoas abrirem a porta, porém, não por muito tempo, não conseguiam ver nada lá dentro, apenas uma forte luz. 

           De repente, uma pessoa surge da passagem, como se fosse um portal. Outro amigo que reconheci dos tempos de escola. Ele parecia estar em transe, seus olhos estavam claros como lâmpadas acesas. Perguntei a ele o que havia acontecido, porque seus olhos estavam daquele jeito, ele apenas me respondeu: “tive um encontro com quem me criou, meu medo foi embora.” Em seguida, ele passou por nós e foi em direção à porta do banheiro no quarto. Ele a abriu e entrou sem hesitar. Tentamos segui-lo, mas encontrei muita resistência na porta, o medo tomou conta de mim. Como ele entrou sem nenhum problema? Qual era a diferença entre ele e o resto, entre mim e ele? Eram os olhos, era seu encontro com o criador. É isso que possibilita entrarmos por aquela porta? Devemos buscar Aquele que nos criou? 

        Assim que me aproximo da porta, o medo cresce dentro de mim. É isso, o encontro com o Criador expulsa qualquer medo, essa é a resistência da porta. Devo confiar naquele que me moldou, naquele que me trouxe à existência. Fiz uma oração e comecei a sentir o amor Dele, expulsando o medo, também comecei a sentir Sua justiça, me levando ao arrependimento. Decidi tentar abrir a porta novamente, meu amigo disse que meus olhos estavam mais claros. Quanto mais coragem sentia, menos a porta se rebelava, ainda não enxergava o interior, mas tinha que persistir. Consegui, encontrava-me em um cômodo branco, e como se meus olhos começassem a se acostumar, passei a enxergar onde eu estava. Realmente era o medo que nos impedia de entrar aqui, minha fé, coragem e arrependimento me deram forças para chegar até esse lugar. O local começou a se iluminar, era outra casa, com muita luz, eu sentia a presença do meu criador. Cheguei ao meu destino, aquele que me originou.

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