8 Dias - Um conto de ficção cristã

 

8 Dias é um conto de ficção cristã sobre o nosso tempo e o tempo de Deus. Nicholas irá participar de um experimento social misterioso. O que pode acontecer em 8 dias?

 


            — Não vai dar, vou trabalhar em outra cidade, lá no interior.

            — É mesmo? Você não me disse que tinha arranjado um emprego.

            — Sim, vou para lá semana que vem.

            — E qual o trabalho?

            — Bem...na verdade não é bem um trabalho, eu vou participar de um experimento.

            — Sério, e por que você vai fazer isso?

            — Você sabe da minha situação...

            — Mas como esse experimento vai te ajudar?

            — É um experimento social, eu e outros participantes vamos morar um tempo numa casa, com tudo pago.

            — Agora eu entendi, e vão ter algumas moças lá?

            — Que eu saiba, sim.

            — Agora eu entendi mais ainda.

            — Deixa disso. Irei apenas para contribuir com o avanço científico do meu país.

            — Quanta nobreza de sua parte. É apenas coincidência você ir para um experimento que pagará suas despesas e te colocará em uma casa com mulheres? Bem depois de você terminar e ser demitido?

            — Bom, isso é só um bônus. Você sabe que eu estava orando pela minha situação, e esse experimento chegou bem na hora. Deve ser uma resposta de Deus. Já estava ficando desanimado com Ele, estava demorando muito. Vamos ver se essa situação recupera minha fé.

            — Está bem, então. E você sabe no que consiste esse experimento? Quem é que está fazendo?

            — Não falaram muito, acho que isso tem a ver com a autenticidade do projeto, se soubermos o porquê, iremos estragar os resultados. Apenas temos que morar juntos com alguns estranhos.

            — Você sabe quantas pessoas são?

            — Acho que são mais de vinte.

            — E você está tranquilo com isso?

            — Não, sabe que não sou muito sociável.

            — E olha só, o não sociável em um experimento social.

            — Talvez seja por isso que me escolheram. Eu vou tentar ficar na minha e não causar nenhum problema.

            — E quanto tempo você vai ficar lá?

            — Temos que ficar um tempo, eles ainda não disseram.

            — Não estou gostando disso aí, mas você que sabe. E você não me disse. Quem é que está fazendo esse experimento?

            — É um psicólogo. Ele estuda o comportamento humano.

— Mas não é isso que todos os psicólogos estudam?

— É, você tem razão. Mas eu diria que ele foca mais nas interações sociais em geral.

            — Está bem, me dê notícias.

            — Ok.

            — Mas antes, escute, eu sei que pode ser chato, mas lembra aquele negócio que te pedi?

            — Sei, o que tem?

            — Você não vai me ajudar?

— Cara, só faz o quê? Oito dias que você me pediu?

            — Isso.

            — Então, assim que der eu faço.

            Depois de conversar com seu amigo de infância, Nicholas foi para casa. E uma semana depois, estava pronto para ingressar no experimento social para o qual tinha sido selecionado. Um carro foi buscá-lo. O motorista, com um grande sorriso no rosto recebeu Nicholas e o levou até a cidade da pesquisa. Levou quatro horas para chegarem, era uma pequena cidade no interior. Talvez, por fotos, não fosse possível ver isso, pois havia alguns prédios de arquitetura bem robusta e rica. Nicholas estava ansioso para conhecer a cabeça por trás do projeto. Seu carro foi o último a chegar no local, um prédio largo, de muros altos e escuros. Era uma escola. Enquanto andava em direção ao seu destino, notou outros como ele, candidatos acompanhados de funcionários. Em uma das salas, leu um grande contrato e o assinou. Foi levado a um vestiário para colocar uniformes do experimento e deixar seus pertences. Era uma regra do experimento deixar tudo o que possuía para trás, tudo. Nicholas, quando se viu nu, no banheiro daquela escola, questionou se estava no lugar correto. Passados alguns minutos, todos os candidatos foram chamados ao pátio da escola, ao lado da quadra. Foi ali que, finalmente, os 25 candidatos que assinaram os contratos, 17 mulheres, e 8 homens, conheceram o idealizador do projeto, o Doutor Breno Taylor. O psicólogo disse, com seu sotaque que ninguém soube identificar de onde vinha, com certeza de outro país:

            — Sejam todos bem-vindos. Eu sou o Doutor Taylor. Como já sabem, vocês foram os selecionados para participar da minha pesquisa de campo, um experimento social. Estou ciente que todos já leram e assinaram os contratos, depositando sua confiança em mim. Também já sabem de todas as regras. Farei o melhor para não os decepcionar. O experimento acontecerá aqui mesmo, há uma casa conectada a escola e é lá que vocês dormirão. Antes de prosseguir, alguém tem alguma dúvida?

            Um dos candidatos levantou a mão, e com a anuência do Dr. Taylor, disse:

            — Você pode nos dizer algo sobre o experimento? Para que ele serve?

            — Eu não posso revelar muita coisa, pois isso afetaria a veracidade dos resultados. Terão que confiar em mim.

            — Não pode revelar nem um pouquinho?

            — Não se preocupe, meu caro, o tempo dirá tudo. Mas para que vocês não fiquem receosos, saibam que cuidarei bem de vocês. Terão tudo o que precisam. E já viram os requisitos no contrato. Eu perguntaria se alguém tem alguma objeção a eles, mas todos aqui já o assinaram. Mesmo assim, caso queiram ir embora agora, é totalmente possível, apenas pagarão uma multa. É claro que ficarei um tanto comovido por não confiarem em mim, mas sim, podem sair assim que quiserem. Mais alguma coisa?

— Qual o tempo máximo que poderemos ficar aqui?

            — Isso não posso lhes dizer, pela mesma razão da veracidade.

            — Temos que ficar aqui até o senhor falar, se não pagaremos uma multa?

            — Caros, as respostas para essas perguntas estavam todas no contrato. Podem ir embora a hora que quiserem, porém, pagarão uma multa, mas enquanto ficarem, cuidarei de vocês. Confiem em mim. Vocês parecem desanimados, então revelarei uma coisa para incentivá-los. Em algum dia do experimento receberão um grande presente, aquilo que mais precisam.

            Um dos candidatos gritou, lá do fundo:

            — E o que seria isso?

            — Bom, para cada um é uma coisa, não é? O que você precisa não é a mesma coisa que seu colega. Uns irão dizer que carecem de dinheiro, outros de saúde, outros de relacionamentos, e outros de outras coisas. Mas digo que há coisas ainda mais importantes.

            — E você poderá nos dar todas essas coisas?

            — Desculpe, eu já disse demais. Vão conhecer as instalações, eu vejo vocês em breve. A partir do momento em que entrarem na residência, o experimento irá começar, nenhum funcionário os acompanhará. A última regra é: caso queiram abandonar o experimento, devem escrever isso na carta que encontrarão, e deixá-la no elevador.

            Por enquanto, nenhum candidato, que agora eram sujeitos do experimento, desistiu do projeto. Todos foram orientados a passagem que levava da escola a uma casa. Era um prédio com a faixada feita de grandes tijolos escuros, o que dava um ar moderno e elegante ao local. Lá, pegaram um daqueles elevadores industriais para o andar de cima. Era um estabelecimento que foi transformado em residência. O experimento havia começado. Uma das candidatas disse, cruzando os braços e batendo o pé:

— Iremos dormir todos no mesmo quarto? Homens e mulheres?

Ninguém respondeu, pois todos já sabiam da resposta. Nicholas pensou na exatidão em que aquelas camas estavam arrumadas, 17 camas, com a cabeceira do lado das janelas na parede da esquerda, 8 camas paralelas a parede. Em cima de cada cama, havia um papel, um envelope de carta e uma caneta. Pela janela era possível ver a avenida e ponto do bonde em construção. Do outro lado da avenida, alguns metros adiante, um pequeno hotel. Nicolas pensou: “como essa cidade é distinta.” Sua divagação foi interrompida pelas falas dos outros sujeitos:

            — Pelo menos a cozinha é boa, e está cheia. O único problema é que somos 25, mas acho que podemos dar um jeito.

            A cozinha e um dos banheiros ficavam no andar de baixo, o outro ficava conectado ao quarto.

— Os banheiros também são bons.

— O banheiro de cima será para as mulheres, e o de baixo, para os homens.

Todos concordaram. Não sentiram falta de armários, pois não tinham malas, e apenas a roupa do corpo. Porém, perguntaram-se:

— E roupas, alguém viu onde estão?

Ninguém viu. Mas como se soubessem de sua indagação, ouviram o barulho do elevador, e mesmo antes de abri-lo, foi possível ver, através do portão de metal, 25 conjuntos de roupas dobradas dentro dele. Passaram o resto do dia se conhecendo e foram dormir cedo, por causa do cansaço. Nicholas percebeu um padrão nos candidatos, todos pareciam ter passado por alguma dificuldade recente. Acordaram com a luz do sol entrando por aquelas grandes janelas ao longo de todo o quarto, que contrastava com as paredes verde, bem escuras, com detalhes brancos nas molduras da porta.

— Droga, não há cortinas aqui. — Um dos candidatos disse.

Nicholas acordou e viu uma das candidatas acordando logo em seguida. Assim que ela percebeu o olhar de Nicholas, virou seu rosto vermelho. Nicholas gostou dela.

Todos pareciam encabulados de acordar ao lado de estranhos, com os cabelos desarrumados e olhos inchados. Porém, estavam todos na mesma situação. Depois de tomarem café, começaram a perguntar o que poderiam fazer ali. Algum jogo? Televisão? Não. Não havia nenhum aparelho eletrônico e ninguém estava com seu celular. Mas, novamente, como se soubessem de suas indagações, ouviram o ruído do elevador, e nele, várias telas para pinturas, cavaletes, tintas e pincéis. Por mais que nem todos ali eram bons com pintura, ou até mesmo gostassem da arte, como não tinha muito o que fazer, divertiram-se naquele dia. Todos se sujaram, mas novas roupas vieram pelo elevador.

No dia seguinte, todos esperaram por algo que pudessem fazer para se distraírem e passar o tempo mais rápido. Só que naquele dia nada veio. A maioria dos sujeitos não gostou de ficar o dia inteiro, praticamente, no quarto, apenas conversando.

No quarto dia, tiveram uma surpresa, logo pela manhã o elevador soou, mas não havia coisa alguma dentro dele, alguém, o Dr. Taylor:

— Bom dia, vim verificar como vocês estão.

Um dos sujeitos respondeu:

— Nossa, doutor, sua barba e cabelo parecem diferentes. Não vai dizer que pinta o cabelo e usa maquiagem.

O Dr. Taylor riu e disse:

— Então, como estão?

— Estamos bem, mas devo confessar que aqui é um tédio. O fato de nem conseguirmos saber que horas são faz o tempo passar muito devagar.

— Vocês não gostaram dos quadros?

Um barulho de bonde se mesclou com a conversa.

— Sim, mas isso foi antes de ontem. Ontem mesmo não fizemos nada, nem hoje. Não há muito o que fazer aqui.

— E a companhia um dos outros, estão aproveitando?

— Há pequenos conflitos, como em qualquer lugar, mas nada muito grande.

Um outro sujeito interrompeu a conversa e disse:

— Doutor, não pode explicar o que estamos fazendo aqui? O que vocês podem estar avaliando se não fazemos nada? Não há nenhum funcionário coletando dados e também não vi nenhum tipo de câmera. Como vocês sabem o que está acontecendo aqui dentro?

— Quanto a isso, não precisa se preocupar, tudo está indo como o planejado.

— Pera aí, será que pode haver câmeras escondidas? No banheiro? — Uma candidata disse. — Sabia que tinha algo de errado aqui. Eu quero ir embora.

— Não, não há nenhuma câmera, há outros métodos de coletar os dados, mas não posso revelar ainda.

— Não importa, isso aqui está um saco mesmo. Eu quero ir embora.

— Está bem, mas antes quero lembrá-la que pagará uma multa e não receberá seu presente.

— Até agora ninguém recebeu nada mesmo.

— Entendido, pode ir. Quem quiser abandonar o projeto, abre mão da experiência.

Junto daquela mulher, outros sujeitos a acompanharam. Restavam 15 mulheres e 4 homens. Dr. Taylor voltou a falar:

— Vocês que ficaram, tem mais algo a dizer? Eu estou de saída.

— A comida está indo rápido, quando receberemos mais?

— Quanto a isso, não há o que se preocupar.

— É, mas já se passaram quatro dias desde que chegamos, se continuar assim por muito tempo, acho que vai dar briga. Nós estamos ficando impacientes.

— Se der briga, deu. Apenas peço que confiem em mim. Mais alguma coisa?

Todos ficaram calados, em desânimo. Dr. Taylor foi embora, e aquele dia passou com certa melancolia.

O quinto dia passou como o terceiro, sem nada. Apenas uma coisa de interessante aconteceu, Nicholas teve uma ideia, sair do prédio. Prosseguiu para o fundo do quarto, chegando em uma sala com um grande portão vermelho, que dava para a avenida, através de uma grande rampa. Ele estava tendo questionamentos sobre o experimento e quis conhecer um pouco os arredores. Assim que ele saiu, pelo portão vermelho, sem que ninguém o visse, percebeu um homem muito parecido com o Dr. Taylor andando em direção ao hotel do outro lado da rua, que não parecia mais tão pequeno. Nicholas ficou curioso, mas não disse nada a ninguém. A maior preocupação dos sujeitos era a comida, que já estava terminando. Um dos sujeitos disse:

— Aquele doutor nos deixou aqui para quê? Ele veio apenas uma vez nos visitar. Parece que há algo de errado.

Uma candidata disse:

— Talvez isso tenha a ver com o experimento, e outra coisa, pode ser que alguém receba um presente em breve.

Nicholas disse:

— Que presente o quê! Aposto que aquilo era mentira, não estava no contrato. Ele também disse que cuidaria de nós, mas a comida está chegando ao fim.

— Ela chegou ao fim?

— Não.

— Então pronto.

O sexto dia foi como o anterior, e os sujeitos começaram a ficar ainda mais nervosos. 4 deles abandonaram o projeto.

Foi no sétimo dia que as coisas pioraram mesmo. A comida estava escassa. Um dos sujeitos disse:

— Provavelmente, temos comida para apenas mais um ou dois dias.

Outro candidato respondeu:

— Caso a comida termine, eu duvido que eles não encham o elevador. A alimentação estava no contrato.

Nicholas disse:

— Está bem, esperarei até o dia em que a comida acabar, se nada mudar até lá, irei embora. Além disso, o Dr. Taylor nem voltou, muito menos com um presente.

Muitos sujeitos concordaram com a ideia. No oitavo dia, a comida tinha acabado, e a indignação dos sujeitos foi grande, um deles disse:

— Cadê nossa comida? Vamos passar o dia inteiro com fome?

Nicholas disse, sem convicção:

— Talvez até o final do dia chegue.

A fala de Nicholas não ajudou nada, os sujeitos estavam estressados e alguns deles deixaram o projeto. Outros começaram a brigar, e outros pareciam não estar se importando com mais nada. Nicholas percebeu que algo de grave poderia acontecer ali, então começou a raciocinar sobre o tempo de experiência. “Eu estou tentando acalmar as pessoas, mas o fato de Dr. Taylor não aparecer aqui me é estranho, ainda mais com o que vi no outro dia. Quem era aquele homem? No primeiro dia, nosso pedido por roupas foi atendido rapidamente; e no segundo, por uma atividade, também. Mas depois disso, mais nada, apenas a visita do doutor. E desde aquele dia, continuamos no nada. Só pode ter a ver com o experimento. O que será que estão tentando mensurar? Nossa resiliência? Comportamento com estranhos? Em situações de incertezas? Não sei. Sei que o clima está ficando pesado. Tenho que fazer alguma coisa.”

Pela tarde, completamente nublada, Nicholas tomou uma decisão, abriria o portão vermelho e andaria um pouco pelos arredores do prédio, como fez no outro dia. Não conseguia enxergar muita coisa, a neblina estava carregada. Atravessou a rua com cautela e chegou ao hotel, que era grande e luxuoso. Sentiu um ímpeto de entrar e ver como era por dentro. Subiu uma larga escadaria de madeira que levava ao restaurante do hotel. Viu um senhor que parecia o Dr. Taylor, sentado em uma mesa, sozinho. Nicholas se aproximou e disse:

— Dr. Taylor?

— Olá, Nicholas, que surpresa. Como você está?

— Como eu estou? Nós estamos lá trancafiados há 8 dias sem ter o que fazer e você está aqui, aproveitando uma refeição de luxo?

— Estão tendo problemas lá no prédio?

— Se você nos visitasse, saberia. Afinal, o que está acontecendo com você? Está doente?

— Por que diz isso?

— Você parece ter envelhecido uns 20 anos.

— Você tem razão.

— É por isso que não está indo nos visitar, o quão grave é?

— Eu não estou doente. Você tem razão quanto aos 20 anos. 21,91780821917808 anos para ser mais exato.

— O que está dizendo?

— Olhe para mim e olhe ao seu redor, não notou as diferenças? Para vocês se passaram oito dias, mas para mim, foram oito mil. O que você acha disso?

— Não é possível.

— Você está falando sobre esses oito dias, mas você já não disse que oito dias é pouco?

— Como você sabe disso?

— Pelo mesmo motivo que eu não preciso de câmeras para saber o que acontece em qualquer lugar.

— O que você está dizendo?

— Eu estava lá no prédio o tempo inteiro.

— Não tem como você estar lá sem ser visto.

— Mesmo assim, eu estava. O tempo inteiro. O que você conclui disso? Eu estou em todos os lugares, o tempo todo.

— Você está delirando, doutor? O que está acontecendo.

Dr. Taylor começou a emitir uma forte luz, que fez Nicholas virar o rosto. Assim que a luz cessou, Nicholas olhou para o doutor, que estava rejuvenescido. O doutor disse:

— Nicholas, eu sou Deus.

As palavras não saíam da boca de Nicholas. Dr. Taylor continuou:

— Deve estar se perguntando por que estou fazendo isso. Você não disse que oito dias é pouco para ajudar um de seus amigos? Porém, você está decepcionado comigo por não ter respondido suas orações no tempo que você gostaria. Eu queria que vocês avançassem para um maior entendimento. Vê como as coisas são relativas?

Nicholas estava recuperando o fôlego, e disse:

— Já se passaram 20 anos?

— Oito dias.

— Se vinte anos podem ser oito dias para o Senhor, oito dias para mim não são nada.

— Você está entendendo. Porém, isso foi apenas um exemplo, a proporção mais exata seria um dia para mil anos. Mas essa não é a questão. O que eu disse no decorrer no experimento?

— Para confiarmos em você.

— Excelente. Não importa o tempo que demore, oito dias ou oito mil. Eu virei na melhor hora.

— Mas e as nossas queixas no prédio, não tinha nada para fazer lá.

— Não percebeu outra coisa?  Eu nunca disse que vocês teriam que ficar confinados lá dentro, só abandonariam o experimento com a carta, lembra? Você foi o único que teve a coragem de sair.

— E o que isso significa?

— Que minhas palavras não são uma prisão, elas libertam. Se vocês aguentarem até o fim do dia de hoje, irei lá para entregar seus presentes.

— Mas eles estão prontos para abandonar o projeto se não receberem comida até o horário da janta.

— Não posso fazer nada. Eu sugiro que você volte lá e tente convencê-los.

— Está bem.

Nicholas voltou ao prédio e tentou convencê-los a ficaram até o final do dia. Muitos não acreditaram na loucura que ele estava dizendo e foram embora, outros passaram a esperar com grande expectativa.

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